2 comentários sobre “Contato

  1. Caríssimo Vitor

    Meu nome é Thais Helena, sou uma paulistana que há anos vive na Califórnia.
    Mal posso acreditar que, finalmente, estou me dirigindo a você!
    Como não faço parte de rede social alguma (sei que esta no facebook) e por não ter conseguido de outra forma um acesso a você, não tive, até hoje, como contatá-lo.
    Mas, tudo tem sua hora…E hoje, hoje é uma linda e ensolarada sexta feira aqui que torna-se infinitamente mais bela por eu ter a chance de enfim estar “diante” de você. 🙂

    Saudações Vitor Suarez, curvo-me em sua frente.

    Há mais ou menos 6 meses escrevi algo que gostaria MUITO que seus olhos lessem.

    Chegou a hora.
    Se me permite, calo-me para que minhas palavras falem por mim. Espero sejam elas dignas do respeito e da admiração colossal que que sinto por um ser humano de sua magnitude.

    Um grande abraço, Deus o guie sempre.

    Thais Helena Guidolin Miguel

    _________________________________________________

    OS SINOS DOBRAM POR TI, VITOR!

    Às vezes tomamos conhecimento de coisas dificílimas de adjetivar.

    Como qualificar algo que reúne o pior e o melhor desta nossa tão diversa categoria de animais, a dos homo sapiens?

    No interior do estado do Rio de Janeiro, na cidade de Ilha do Governador, um jovem chamado Vitor Suarez da Cunha quase perdeu sua vida em prol da vida de um desconhecido seu, um mendigo que estava sendo brutalmente agredido por um bando de criminosos, adolescentes marginais os quais destilavam sua perversidade e sua covardia inominável sobre o pobre indigente, enquanto Vitor passava pelo local.

    Desnecessário dizer da repugnância e da tristeza diante de tal crime.

    Milhares de pessoas no Brasil as quais, por meio dos noticiários, acompanham a recuperação do rapaz estão chocadas, perplexas.

    Perplexidade e sensação de impotência, sentimentos que, tantas vezes por razões similares ou diversas, assolam a consciência dos homens e mulheres de nosso país.

    Mas, Vitor, o vulto da grandeza de sua atitude abalou todos os pilares. Estremeceu o alicerce.

    Sua postura, a qual nem por um minuto titubeou em ceder o essencial (sua vida), em defender o mais humilde dos humildes chegou como um cataclisma:

    “O que” tornamo-nos nós protegidos por de trás de nossas paredes, na comodidade de nossos sofás? Na verdade, o que, de fato, somos nós?

    Até que ponto permitiremos ir nossa acomodação, nossa exacerbada superficialidade?

    Até que ponto fingiremos não vermos e ouvirmos o oceano de lama que nos rodeia, que nos avilta e nos reduz a homens e mulheres fúteis, covardes, vazios?

    Somos mesmo impotentes?

    Respiro fundo.

    Como num ato de catarse, repulsivo a todas estas mazelas e fraquezas, ergo-me, agiganto-me e decido, em fim, lutar o bom combate!

    A luz da sombra de seu caráter socorre-nos, resgata-nos do lamaçal da acomodação, da covardia, do silêncio.

    Você, jovem grande Homem, faz renascer em mim e em todos homens e mulheres cientes do acontecido, os valores de que somos feitos.

    Por você e para você, somos compelidos a sairmos às ruas e às esquinas para dizermos, em alto e bom tom: basta!

    Não, não somos impotentes! Existimos sim, e somos veementemente contra tudo de imoral, violento e desumano que nos rodeia!

    Você faz-nos resgatar o que temos de melhor.

    Você resgata-nos de nós mesmos, Vitor Suarez Cunha.

    Interessante que quando comecei a escrever estas linhas, meu desejo era dizer: “Ouça Vitor, você, sua mãe e seu irmão, ouçam que aqui, de tão longe, no hemisfério norte do planeta, há centenas de pessoas que tirariam o chapéu para você, que curvar-se-iam, como se curvam para os verdadeiros heróis da história, diante de sua presença. A nobreza de seu caráter e a grandeza de seu coração são gigantes, imensas. Na verdade, permita-me dizer que a enorme extensão territorial do Brasil parece pequena para acomodar um homem da envergadura de seus valores e de sua coragem. Por favor, permita-nos ajudar a aplacar sua dor. Estamos aqui e gostaríamos de lhe oferecer nossa força”.

    Esta era a idéia. Inocentemente imaginava eu, dar-lhe “apoio”, dar-lhe “força”…

    Colossal engano.

    De um lado vendo agora com clareza quem era o “debilitado” e quem era o gigante; permita-me é, humildemente desculpar-me (por minha cegueira e “arrogância” inicial) e agradecê-lo por sua força, por sua envergadura.

    Você, jovem Vitor Suares Cunha, socorreu não só o mendigo da Ilha do Governador na escura noite do dia dois de fevereiro.

    Você “socorreu” a todos nós da escuridão de nossas fraquezas.

    Lutemos por um mundo melhor, como você incomparavelmente o fez quase com sua vida.

    Oxalá todos os homens fossem como você, Martin Luther King nunca teria tido de dizer: “o que mais preocupa não é o grito dos violentos, é o silêncio dos bons”.

    Você o teria orgulhado.

    Por Homens como você, Vitor Suares, os sinos verdadeiramente dobram.

    Respeitosamente,

    Thais Helena

    Califórnia, 5 de fevereiro de 2012.

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